sexta-feira, 20 de outubro de 2017

Jesus esvaziou-se a si mesmo

Muita confusão se faz acerca do texto de Filipenses 2.7 em que o apóstolo Paulo registra que Jesus esvaziou-se, mas a pergunta é: Ele se esvaziou de que? Responderei fazendo uma pequena exposição do texto.

Estamos diante de uma epístola que foi escrita por Paulo no ano 60 a 63 d.C. Ele encontrava-se preso - sua primeira prisão, em Roma. Décadas antes recebeu uma visão, um chamado para pregar em Macedônia (At 16.6-10), em obediência acatou a ordem e partiu para Macedonia. Ali fundou a Igreja em Filipos e tudo indica que foi a primeira Igreja européia, Lídia foi uma das primeiras a crer em Jesus (At 16.14,15).

Uns dos motivos que levou Paulo a escrever esta carta foi: 1) Agradecer a esses crentes pela ajuda recebida e 2) Resolver alguns problemas pastorais. Apesar que estava preso, essa epístola é a mais alegre que ele redigiu.

A questão do que Paulo ressalta e que gera confusão no meio evangélico é o auto-esvaziamento do Redentor que culminou no aparecimento da doutrina da kenosis em meado do século XIX defendida por teólogos como: Johann Ebrard, Wolfgang Gess, Charles Gore, Thomasius, Hans Larsen Martensen e etc. Na doutrina da kenosis vou citar três interpretações de Fp 2.7 que eles expõem, tais quais:

1- Jesus se esvaziou mas manteve os atributos morais – amor, bondade, piedade e etc, e abriu mão dos atributos infinitos – onipotência, onisciência, onipresença e etc.

2- Ele abriu mão totalmente da sua natureza divina.

3- Os atributos divinos foram reduzidos para se acomodarem a um modo humano.


      I- Análise de algumas versões bíblicas - tradução do termo grego kenosev do texto de Fp 2.7
 
       Versões brasileiras, inglesas, espanhóis e alemão:

      - ARA, ALFALIT, NVI, ERC, KJA, DBT, EVR, SBB: ``esvaziou´´.

      - NTLH: ``abriu mão de tudo o que era seu´´.

      - ARC: ``aniquilou´´.

    - KJV: ``But made himself of no reputation´´. Tradução:  ``Mas não se fez reputação´´. 

      - SEV (Spanish) 1569 e RVR (Spanish Reina Valera) 1909: ``Sin embargo, se anonadó á sí mismo´´. Tradução: ``ele se tornou autoproduzido´´.

    - BJ (espanhol): ``Sino que se despojó de sí mismo´´. Tradução: ``ele se esvaziou´´.
 
     - Deutsch: Luther (1912): ``sondern entäußerte sich selbst´´. Tradução: ``mas se privou de si mesmo´´.
 
    - Vulgata: ``sed semet ipsum exinanivit´´. Tradução: ``mas esvaziou-se a si mesmo´´.

      Percebe-se que a maioria das versões a palavra kenosen está traduzida como esvaziou.
 
 E  Em todas as cópias dos manuscritos em grego o termo é ``ἐκένωσεν´´ (kenosen).
    

      Códex Sinaitucus do século IV 

      

      II- Qual o significado da palavra kenosen?

      Para os respectivos léxicos significa:

      - Felix Wilbur (1993, p. 114): esvaziar.

      - Strong (2002, p. 1456): esvaziar, tornar vazio. De Cristo, que abriu mão da igualdade com Deus ou da forma de Deus. Anular. Privar de força, tornar vão, inútil, sem efeito. 


      III- Entendendo o termo esvaziar em Fp 2.7


      Na Igreja em Filipos havia um problema prático como intrigas, contendas e rixas e Paulo resolveu essa questão utilizando a Cristologia. Ele utilizou verdades acerca da obediência de Cristo.
      
Diante dos assuntos que são abordados nesta epístola, Paulo exorta aos filipenses (Cap. 2) a serem humildes e a terem o mesmo pensamento que Cristo teve, ou seja, em Jesus houve interiormente uma disposição favorável em ser obediente.

      Em nenhum momento vamos encontrar Paulo afirmando que Cristo abriu mão de atributos divinos ou deixou de ser Deus ou ainda que o Logos tomou lugar da alma humana de Jesus - neste último é uma influencia de Apolinário. Para resolver o problema na Igreja ele utiliza Cristo como exemplo de servo. Haja vista do Redentor ter possuído uma natureza divina - forma de Deus (morphe Theou), em nenhum momento Ele usurpou (roubou) o lugar do Pai. 

      Os quenosistas afirmam que Jesus pôs de lado o uso dos Seus atributos divinos, mas na verdade Ele se submeteu a autoridade do Pai.

      Diante dos muitos significados que a palavra kenosen possui, dentro do contexto do cap. 2, o termo ``esvaziou´´ denota que Jesus não abriu mão dos atributos divinos, de ser Deus ou de ter se tornado vazio ou inútil, mas da posição elevada, do status, de todos os privilégios que possuía antes de se encarnar. Paulo dá ênfase da posição de humilhação que o Salvador assumiu (vs. 7,8). Ele deixou sua posição de Rei e assumiu uma natureza humana - Ele era plenamente humano, para tomar sobre si os nossos pecados. Ele abriu mão dos Seus privilégios e assumiu a forma de servo (gr. doúlou - escravo) para morrer em nosso lugar. Darrel (2008, p.358) reitera que ``...o esvaziar denota assumir uma condição nova e mais humilde.´´ e não de se esvaziar do que já era.

Nos vers. 5-11 Paulo retrata os dois estados de Cristo - humilhação (vs. 5-8) e exaltação (vs. 9-11). 
       
       


Cristo se esvaziou dos Seus privilégios, da Sua grandeza, do Seu governo e desceu do Seu Trono para assumir uma natureza humana e viver uma posição de servo/escravo. E viveu uma vida em obediência até a morte e morte de cruz (v. 8). Assim como Jesus, os filipenses também deveriam se esvaziar dos seus privilégios e tornar-se humildes, amorosos e unidos para que o progresso do Evangelho possa atingir seus objetivos (1.27; 2.3).

Esta mensagem continua atual para nós hoje, que venhamos nos esvaziar de tudo aquilo que não agrada ao Senhor, esvaziar dos desejos carnais, do ``eu´´, dos privilégios e direitos que achamos que temos e regaçar as mangas para trabalhar e proclamar Cristo como Senhor e Salvador.




REFERENCIAS BIBLIOGRÁFICAS


     GINGRICH, F. Wilbur. Léxico do Novo Testamento: Grego/Português. São Paulo: Vida Nova, 1993.

    STRONG, James. Dicionário Bíblico Strong: Léxico Hebraico, Aramaico e Grego de Strong. São Paulo: SBB, 2002.
        
     ZUCK, Roy B. BOCK, Darrel L. Teologia do Novo Testamento. 1a Edição. Rio de Janeiro: CPAD, 2008.
     
http://www.bibliaonline.net/biblia/?livro=50&versao=12&capitulo=2&leituraBiblica=&tipo=1&lang=pt-BR&cab=
     
   http://www.codexsinaiticus.org/en/manuscript.aspx?book=42&chapter=2&lid=en&side=r zoomSlider=0

quinta-feira, 19 de outubro de 2017

Macrina - A ``Mestra´´ capadociana

Fonte da imagem: http://www.traditioninaction.org/SOD/j137sdMacrina_6-19.htm
Ela nasceu em 327 d.C., Cesaréia, na Capadócia (sul da Ásia Menor), hoje essa região pertence a Turquia. Macrina foi irmã dos famosos teólogos capadocianos, Basílio, o Grande e Gregório de Nissa.  Foi a mais velha dos dez irmãos. Seus pais - Basílio e Emília, eram totalmente religiosos. Sofreram a dura perseguição dos imperadores romanos naquele período, que segundo o historiador Ricardo da Costa foi proferida pelo imperador Galério Máximo (293-311).

Quando tinha doze anos foi prometida a casamento ao um jovem que preparava para ser advogado. Infelizmente esse casamento nunca aconteceu, pois o futuro esposo faleceu. Seus pais até tentaram preparar algum outro pretendente, mas Macrina recusou-se. Decidiu dedicar-se sua vida pra Deus e auxiliar a mãe nas tarefas domésticas. 

Seu irmão Basílio anos mais tarde foi estudar, segundo Justo Gonzalez primeiro ``em Cesaréia, a principal cidade da Capadócia; depois em Antioquia, em Constantinopla, e por último em Atenas.´´ (GONZALEZ, 1995, p. 127). Quando retornou para Cesaréia aceitou o convite da cátedra de retórica da Universidade da cidade.

Em 340 d.C. Macrina com quinze anos de idade perde o pai e neste mesmo ano se deu o nascimento do irmão caçula Pedro e que segundo seu irmão Gregório em  sua obra ``Vida de Macrina para o monge Olimpio´´ (NISSA, 972C, p. 10), ela foi para o irmão ``pai, professora, tutora, mãe, doadora de todos os bons conselhos...´´. Anos depois a família recebeu outro grande golpe, a morte de Naucratius. Rapaz de dons naturais exuberante, largou tudo e foi viver uma vida de solidão e pobreza para cuidar de pessoas pobres e debilitadas as margens do rio Íris, em Ponto, numa certa propriedade da família (NISSA, 968A, 968B, pp. 6-7). 

Macrina sempre esteve ao lado da mãe e dos irmãos auxiliando-os em tudo que fosse possível. Como a família possuía ótimas condições de vida, Macrina conseguiu convencer a mãe a transformar a casa em um mosteiro, especialmente para as mulheres que queriam viver uma vida contemplativa para Deus. Ricardo da Costa afirma que eles ``Levavam uma vida de estrito ascetismo, dedicando-se à meditação sobre as verdades do cristianismo e às orações. Era uma organização de tipo familiar que se prestava  costumeiramente a auxiliar os pobres´´ (COSTA, 2001).

Além de ter vivido uma vida ascética - ter se separado dos costumes mundanos para viver diretamente para Deus, Macrina também demonstrou ter uma excelente capacidade intelectual. Sua mãe a alfabetizou utilizando as Escrituras Sagradas. Ela também lia tratados de teólogos da época, por exemplo, de Orígenes. Incentivou a fé de seus irmãos. Por incentivo da irmã, Basílio construiu monastérios e delimitou regras que guiaram a vida monástica da Igreja Ortodoxa. 

Macrina e seus irmãos viveram num período conturbado do cristianismo no século IV: as perseguições aos cristãos, a ascensão do império de Constantino, os Concílios, os falsos ensinos, o arianismo e etc.

Tanto Basílio como Gregório de Nissa contribuíram para o desenvolvimento doutrinário daquele período, principalmente acerca da Trindade. Macrina foi apelidada pelo seu irmão Gregório de ``a Mestra´´, e em ``O Diálogo sobre a Alma e a Ressurreição´´ ele registrou que ela era como professora e filosofa cristã ideal, que sempre buscava a Deus de todo o coração. Ela se afeiçoava aos estudos bíblicos e pelos registros da obra acima citada, foi uma pessoa dedicada de excepcional excelência nos estudos da Escritura e além do mais dentro deste aspecto, ela foi conselheira em assuntos bíblicos de seus irmãos. Era respeitada por todos, homens, mulheres, clérigos e dentre outros.

Macrina faleceu em 379 d.C. e seu irmão Gregório ficou responsável em realizar os ofícios fúnebres. Ela foi sepultada no mesmo túmulo da mãe (Nissa, 996B, p. 25).




REFERENCIAS BIBLIOGRÁFICAS


GONZALEZ, Justus. A era dos gigantes: Uma história ilustrada do cristianismo. Vol 2. São Paulo: Vida Nova, 1995.

KASTNER, Patricia Wilson. Macrina: Virgem e professora. https://www.andrews.edu/library/car/cardigital/Periodicals/AUSS/1979-1/1979-1-07.pdf

NISSA, São Gregório de. Vida de Macrina para o monge Olímpio. Século IV.

https://monasticmatrix.osu.edu/cartularium/life-macrina-gregory-bishop-nyssa

http://www.ricardocosta.com/artigo/vida-de-macrina-santidade-virgindade-e-ascetismo-feminino-cristao-na-asia-menor-do-seculo-iv

sexta-feira, 30 de junho de 2017

Escatologia - Introdução

"Vigiai, pois, porque não sabeis o dia nem a hora."  (Mt 25.13 ARA)

Imagem retirada do Google
Estamos vivendo em uma época em que nos púlpitos das igrejas atuais os respectivos pregadores só faz menção de mensagens para massagear o ego do povo - pregações ao gosto do freguês. Quase ninguém prega acerca da volta de Jesus. Parece até que os crentes perderam a esperança da volta do Noivo. Nos estudos bíblicos também não tratam de assuntos referentes a Escatologia. 

Precisamos resgatar isso! Temos que despertar essa geração que só quer saber de oba, oba, festas, shows, louvorzões e etc. A Igreja do Senhor Jesus tem que se despertar, se concertar e manter-se firme Nele. Ele vem sem demora (Ap 3.11a). 

I- O que é Escatologia? 

É o estudo das últimas coisas ou dos acontecimentos finais da história. No grego a palavra é subdividida em: eschatos = último e logia = estudo.

II- Qual a relevância de estudarmos sobre Escatologia? 

Porque quanto mais próximo estiver o fim de todas as coisas, mas se torna necessário os crentes em Jesus compreender acerca desse assunto.

"A Bíblia é, em grande parte, um livro de profecias, de predição dos eventos futuros, eventos que já se cumpriram e eventos que ainda estão por se cumprir." (Curso Interdenominacional de Teologia. ICP. 2003, p. 91).

Jesus Cristo breve vem! O fim está próximo e Deus nos deixou um livro de revelações e profecias para estudarmos.

A Escatologia não deve assustar ninguém!  Percebe-se que alguns crentes não gostam desse assunto. Mas é de suma importância abordarmos sobre temas escatológicos para que possamos cada vez mais nos manter firmes no Rei Jesus.

III- Métodos de interpretação escatológico 

Há muitos métodos que os estudiosos utilizam para interpretar textos escatológicos. A escolha do método hermenêutico de interpretação irá influenciar o resultado final do seu estudo. Os dois principais métodos são: o alegórico e o literal.

IV- Método de interpretação alegórico 

Segundo Esdras (2003, p. 328) a alegoria é uma metáfora mais estendida ou ampliada. É utilizada para interpretar um texto literário, mas sempre dando um outro sentido do que está expresso no texto.

Exemplos: "Eu sou a porta..."  (Jo 10.9 ARA)

"Eu sou a videira..."  (Jo 15.1 ARA)

V- Método de interpretação literal

Esse método já procura dá a cada palavra seu sentido básico e correto no texto, evidentemente, caso o texto possui figuras de linguagem, o sentido da figura não é ignorada.

Exemplo: "E, se a tua mão direita te faz tropeçar, corta-a e lança-a de ti;" (Mt 5.30 ARA)

No texto citado acima percebe-se que Jesus ensina acerca como deve ser nossa atitude para entrar no Reino de Deus. O texto do cap. 5 é literal, mas Jesus utiliza figuras de linguagens para enfatizar mais seu sermão. Ele não está exortando literalmente ninguém a se mutilar, e sim num aspecto espiritual. 

VI- Interpretações escatológicas 

Futurista: Esta interpretação considera que a maior parte das profecias ainda irão se cumprir. E dentro do futurismo temos: o pré-tribulacionismomeso/midi-tribulacionismo, pós-tribulacionismo e o pré-tribulacionismo.

Preterismo: Os estudiosos preteristas afirmam que o conteúdo contido no Apocalipse já se cumpriu totalmente.

- Histórica: Os que aderem a esse pensamento afirmam que o livro de Apocalipse é um livro histórico.  E a maioria dos fatos narrados já se cumpriram na maior parte.

- Simbólica: Também é chamada de interpretação espiritualista. Os que estudam o Apocalipse espiritualizam algumas passagens ou quase todo o livro. Neste caso, aqui se encontra o amilenismo e o pós-milenismo.

Vamos agora visualizar essas interpretações escatológicas:


Para o pré-tribulacionista a Igreja será arrebatada antes do período tribulacional começar e Cristo voltará depois do término do mesmo. Ele virá e pisará no Monte das Oliveiras.


Para o meso-tribulacionista a Igreja irá passar no primeiro período da Tribulação (três anos e meio), ela será tirada antes do segundo período. Para essa linha de pensamento, Cristo voltará no final da Tribulação.



No pós-tribulacionismo a Igreja passará por todo o período tribulacional, será perseguida pelo Anticristo. Após a Grande Tribulação ela será arrebatada e depois virá a Terra acompanhando a Cristo.



Para os simbolistas, Cristo está sentado no seu trono no céu reinando e a Igreja aqui na Terra está vivendo no período milenial, mas simbólico/espiritual. E satanás encontra-se amarrado.

Essas são as respectivas linhas de pensamento no que concerne a Escatologia Bíblica. Que o Senhor Jesus Cristo nos ajude a cada dia a entender sobre esses assuntos. E que possamos também ficar apercebidos quanto a Sua volta.



REFERENCIAS

BENTHO, Esdras Costa. Hermenêutica: Fácil e descomplicada. 14ª impressão, 2013, Rio de Janeiro: CPAD.

RENOVATO, Elinaldo. Lições Bíblicas - O final de todas as coisas: Esperança e glória para os salvos. 1º Trimestre, 2016, Rio de Janeiro: CPAD.

Livro Curso Interdenominacional de Teologia. Modulo V, 2003, São Paulo: ICP.

quinta-feira, 2 de março de 2017

As mulheres martirizadas - Parte II

Darei sequencia a história de mulheres destemidas que com força e coragem não se dobraram aos deuses pagãos e foram fieis a Jesus até a morte (Ap 2.10).

Ágatha: Era filha de uma nobre família de comerciantes e cristãos e morava em Catânia, Sicília. Segundo os historiadores Quintianus - que era um senador romano mas fora nomeado prefeito, pediu a moça em casamento, o que foi negado. Quintianus descobriu que Ágatha era cristã e tratou de providenciar seu suplício. Ela foi retaliada e jogada em um bordel, porém de uma forma milagrosa ela consegue escapar.

Contudo, o tal prefeito acusou Ágatha de fazer parte de uma seita - o império romano não aceitava seitas que não fossem subjugadas pelo imperador, era uma forma de conter possíveis revoluções. Portanto ela foi condenada e submetida a mais torturas como: marcadas com ferros em brasa, esticada na roda e teve seus seios arrancados.

Jogada em um calabouço escuro e sem comida, não foi permitido que se tratassem das suas feridas. Mas milagrosamente curada, Quintianus se irrita e ordena colocá-la numa cama com carvão em brasa e arrastada sobre cacos de vasos. Depois disso foi levada de volta a cela. Ela orava com muita fé para que estas torturas tivessem fim. Quando de repente um terremoto sobreveio naquele lugar e ela faleceu. Em uma de suas orações de fervor, ela diz: ``Meu Senhor e Jesus Cristo, Vós sois meu coração e a minha mente. Leve-me e faça-me seu´´. Suas torturas e morte se deu nas perseguições promovida pelo imperador Décio a partir 250 d.C.

Sofia: Morava em Roma. Era viúva e teve três filhas. Foi uma mulher fiel a Deus e ensinou as suas filhas o Caminho da Verdade. Ela e as suas filhas passaram pela terrível perseguição a Igreja promovida pelo imperador romano Adriano por volta do século 130 d.C.

Como eram assíduas na obra do Senhor - proclamavam nas cidades de Roma a respeito de Jesus, mas Sofia e as filhas foram presas e torturadas. As filhas - que se chamavam Pistis (Fé), Elpis (Esperança) e Ágape (Caridade) foram brutalmente torturadas na frente da mãe, era um modo de fazer com que Sofia negasse a fé em Cristo. Pistis foi despida e com as suas mãos e pés atados foi chicoteada, além de ter seus cotovelos e tornozelos esmagados a golpes de martelo. Elpis também sendo despida, de uma forma lenta foi lançada dentro de uma caldeira contendo betume derretido. E Ágape - que só tinha nove anos, foi decapitada e com o seu corpo retalhado foi lançado ao fogo.

Sofia não sofreu nenhuma tortura fisicamente, só no psicológico. Porém ela se manteve firme ao assistir seus algozes torturando e escarnecendo de suas filhas. Tempo depois ela falece e enterrada pelos cristãos na mesma sepultura das filhas.

Regina: Morava em Gália, França. Sua família era pagã. Sua mãe faleceu durante o parto. Regina foi amamentada por uma mulher - espécie de ama de leite, que por sinal era cristã. Foi desta forma que Regina conheceu a pessoa do Senhor Jesus e passou a segui-lo. Logo se batizou e passou a viver uma vida de fé, oração e piedade diante de Deus.

Porém a perseguição a alcançaria. Denunciada as autoridades romanas por ser cristã e não prestar veneração aos deuses e festas pagãs foi presa e morta por decapitação no domínio do imperador Décio.

Martina: Era a única filha da família rica do Império - seu pai era cônsule. Ficou órfã e herdou toda a fortuna. Era cristã, pois aprendera com seus pais as virtudes de Cristo. Com a sua verdadeira abnegação decidiu doar aos pobres os seus bens. Ato esse que chamou a atenção de Domiciano Ulpiano (203 - 212 d.C.). Ele deu ordens para que ela fosse trazida ao templo e oferecesse sacrifício aos deuses, caso se recuse seria presa.

Evidente que Martina se negou a tal atitude o que fez com o que ela fosse presa e recebeu muitas chicotadas. O bispo Augustine. J. O´Reilly expressa o seguinte: ``A  sua  carne  delicada  e  tenra  foi  lanhada  com  as  chicotadas.  Aprouve  a Deus  favorecer  a  sua  filha  tornando-a  insensível  à  tortura  excruciante.´´ (O´REILLY, 2005, p. 120). Depois ela foi suspensa numa canga, em que a cabeça e as mãos eram presas, e o corpo era rasgado com ganchos de ferro. 

Novamente Ulpiano ordena que ela fosse levada ao templo para oferecer sacrifício aos deuses. Como Deus é magnifico!!! Quando ela estava sendo conduzida ao templo, uma coisa extraordinária acontece, as estátuas, tanto de Diana como de Apolo viraram cinzas devido ao fogo que desceu do céu. E o mais extraordinário! Foi a conversão dos soldados a Cristo que testemunharam esse fato. E óbvio que o tal prefeito ficou muito furioso e mandou executá-los. Quanto a Martina, ainda com feridas abertas em seu corpo e sangrando, ele dá ordens que jogassem nela piche e óleo fervendo. Ela não renegou sua fé em Jesus, manteve-se mais forte, mais firme Nele. Tudo que passamos em nossa vida há um propósito da parte de Deus. Augustine declara que Martina entrou num estado de alegria celestial que até suas feridas exalaram um aroma agradável  (O´REILLY, 2005, p. 121).

Ainda mais furioso, pois a tortura falhara mais uma vez, sua última tentativa foi lançá-la ao anfiteatro para ser devorada pelas feras. Ela entra na arena em oração para manter-se calma, e as feras começam a serem soltas. Quando um dos leões se aproxima dela, a multidão se alvoroça em expectativa. Mas a menina ajoelha-se e começa a orar. Quando o leão se prepara para devorar sua presa, a multidão espantada e extasiada testemunha ele deitado ao lado de Martina recebendo carícias. Então, outro leão se aproxima e acontece a mesma coisa. Martina se coloca de pé e conclama em alta voz: ``Martina  convoca  os  pagãos  a reconhecer o poder do Deus dos cristãos, e milhares de pessoas deixam o Coliseu, naquela  manhã,  proclamando  a  santidade  da  nobre  donzela,  enquanto  outros
determinam abandonar imediatamente a adoração aos falsos deuses.´´
(O´REILLY, 2005, p. 122).

Ulpiano cheio de ódio no coração, por ter passado essa vergonha pública, sentencia-na a ser queimada na fogueira, mas isso também foi em vão. Ela não teve nem um fio de cabelo chamuscado. Isso tudo mostra que não adianta contender contra Deus. 

Condenada a decapitação, Martina é levada para um pequeno templo, que localizava-se a dois quilômetros do coliseu. Neste templo -  dedicado a deusa da Terra, era realizado, segundo Augustine, rituais, sacrifícios e também assembleias do senado. Em frente ao templo havia uma pedra de mármore, chamada de Pedra Maldita (Pedra Scelerata), que a maioria dos cristãos eram levados para serem mortos, da mesma forma os malfeitores. E sobre a morte de Martina, ainda Augustine relata que:

``Condenada por Ulpiano à decapitação, foi  trazida a esse lugar. Um arauto escalou  a  Petra  Scelerata,  como  era  costume,  e  anunciou  ao  povo  que  Martina fora condenada por ser cristã. No momento em que o golpe fatal desceu-lhe sobre o  pescoço,  ouviu-se  uma voz  do  céu  chamando-a  para a  alegria  eterna,  e  toda  a cidade  foi  abalada  por  um  terremoto;  muitos  templos  ruíram,  e  um  grande número de pessoas converteu-se a Cristo.``  (O´REILLY, 2005, p. 123).

Que testemunhos maravilhosos destas mulheres corajosas e cheias de fé. Em nenhum momento Jesus declarou que nossas vidas seriam fáceis. Ele mesmo disse que passaríamos por aflições, seríamos perseguidos, caluniados e etc (Mt 11.12; 24.9; Mc 13.9-13; Jo 16.33). Da mesma forma que Ele renovou, fortaleceu e preencheu de alegria, amor, consolo, bondade e fidelidade aos corações dessas mulheres, que faça o mesmo em nós.

A Igreja Evangélica de hoje está perdendo a identidade. Fico triste quando presencio certas atitudes grotescas e infames tanto da parte da liderança como de membros que não correspondem aos ensinamentos de Jesus. Que venhamos nos arrepender e se colocar na posição que Cristo exige, enquanto AINDA há tempo. Que Jesus nos fortaleça até vim nos buscar!!



REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

O´REILLY, Augustine J. Os mártires do coliseu: O sofrimento dos cristãos no grande anfiteatro romano. Rio de Janeiro: CPAD, 2005. 

http://www.aascj.org.br/home/2014/09/virgem-e-martir-conheca-a-belissima-historia-desta-santa/

http://emdefesadasantafe.blogspot.com.br/2012/02/05-de-fevereiro-santa-agatha-ou-santa.html 

http://heroinasdacristandade.blogspot.com.br/2015_09_01_archive.html

http://marcioreiser.blogspot.com.br/2008/07/santa-gatha-ou-agueda.html